Dida: O Ídolo de Zico e o Gênio que Mudou a História do Flamengo

Para a imensa maioria dos torcedores brasileiros, o maior nome da história do Flamengo é, indiscutivelmente, Arthur Antunes Coimbra, o Zico. Mas, para o próprio Galinho de Quintino, existia um trono acima do seu. Dida era o ídolo de Zico, Uma frase de Zico ecoa até hoje pelos corredores da Gávea e resume a importância de um homem para o DNA rubro-negro: “Eu não queria ser Pelé, Garrincha ou Di Stéfano. Eu queria ser o Dida”.

Edvaldo Alves de Santa Rosa, imortalizado como Dida, não foi apenas um jogador de futebol; ele foi a inspiração máxima para o maior ídolo do clube. Neste dossiê do Acervo Rubro-Negro, mergulhamos na história do “Diamante Alagoano”, o segundo maior artilheiro da nossa história e o homem que pavimentou o caminho para a era de ouro da década de 80.

Quem foi Dida? A Chegada do Diamante Alagoano

Dida comemora gol em 1961. Foto: Arquivo Nacional, Domínio público

Nascido em Maceió, em 1934, Dida chegou ao Flamengo em 1954, vindo do CSA. Em uma época em que o rádio era o grande veículo de massa, a elegância de Dida rapidamente se tornou lenda. Ele era o que hoje chamaríamos de um meia-atacante moderno: possuía uma visão de jogo periférica, um domínio de bola impecável e uma capacidade de finalização que beirava a perfeição.

Seu estilo não era baseado apenas na força, mas na inteligência. Dida flutuava pelo campo, encontrando espaços onde ninguém mais via. Foi essa inteligência que cativou um jovem Zico, que passava as tardes na Gávea observando cada movimento do seu ídolo.

O Segundo Maior Artilheiro: Números que Impressionam

Até a ascensão meteórica de Zico, Dida ostentava o título de maior artilheiro da história do Flamengo. Ao longo de dez anos (1954-1964), ele marcou incríveis 264 gols em 464 partidas. Para se ter uma ideia da sua relevância, ele ainda hoje ocupa o posto de segundo maior artilheiro de todos os tempos, à frente de lendas como Romário, Pirillo e Gabigol.

Dida foi a peça central do histórico Tricampeonato de 1953-54-55 (tendo participado ativamente dos dois últimos anos). Foi nessa época que o Flamengo consolidou sua imensa torcida nacional, e Dida era o rosto dessa hegemonia.

RankJogadorGols pelo Flamengo
Zico508
Dida264
Henrique Frade216
Pirillo204
Gabigol160 (aproximadamente)

Dida na Seleção: O jogador que deixou Pelé no Banco

o idolo de zico na seleção brasileira
Dida na seleção brasileira em 1958

Um dos fatos mais fascinantes — e por vezes trágicos — da carreira de Dida foi sua passagem pela Seleção Brasileira. Em 1958, na Suécia, Dida era o titular absoluto da camisa 10. Ele era a estrela que conduziria o Brasil ao seu primeiro título mundial.

No entanto, uma lesão sofrida na estreia contra a Áustria abriu espaço para um jovem de 17 anos chamado Pelé. O resto é história: Pelé assumiu a vaga, encantou o mundo e nunca mais saiu. Dida, com a generosidade que lhe era peculiar, sempre tratou o fato com humildade, mas o mundo do futebol sabe: se não fosse a lesão, Dida teria sido o protagonista do primeiro título mundial do Brasil.

O ídolo de Zico: A Passagem de Bastão

A conexão entre Dida e Zico ultrapassa as quatro linhas. Zico conta que seu pai o levava para a Gávea e dizia: “Olha o Dida, aprenda com ele”. Zico não apenas olhou; ele estudou Dida. A forma como Zico batia na bola, seu posicionamento na área e até a sua postura em campo carregavam traços genéticos do estilo de Dida.

Anos depois, após se aposentar dos gramados, Dida retornou ao Flamengo para trabalhar nas divisões de base. Foi lá que ele reencontrou o menino Arthur. Dida foi um dos grandes incentivadores de Zico, dando conselhos técnicos e psicológicos que transformaram o promissor garoto no “Rei do Maracanã”. Para o Acervo Rubro-Negro, esse é o maior legado de Dida: ele não apenas marcou gols, ele ajudou a lapidar a maior joia da nossa coroa.

O Estilo de Jogo: Um Meia à Frente do seu Tempo

O gol contra o Corinthians que selou a conquista do Rio-São Paulo de 1961. Foto: dominio público

Se pudéssemos usar uma câmera moderna para filmar Dida, veríamos um jogador que se encaixaria perfeitamente no futebol europeu atual. Ele tinha o “timing” do passe e a calma necessária para decidir jogos grandes. Dida era letal nos clássicos contra o Vasco e o Fluminense, e sua presença em campo impunha um respeito quase religioso nos adversários.

Dida jogava de cabeça erguida. Em uma era de gramados pesados e marcação violenta, ele parecia deslizar sobre o campo. Essa “dança” foi o que o tornou o ícone de uma geração que viu o Flamengo se transformar de um clube de elite em um fenômeno de massas.

Conclusão: Por que nunca devemos esquecer o “Diamante”

Falar de Dida, o ídolo de Zico, é falar da própria essência do Flamengo. Sem Dida, talvez não tivéssemos tido o Zico que conhecemos. Sem o Tricampeonato dos anos 50, talvez a torcida não tivesse crescido tanto nas décadas de rádio. Dida é o elo que une o Flamengo pioneiro ao Flamengo campeão do mundo.

Ele faleceu em 2002, mas sua presença é sentida toda vez que um camisa 10 rubro-negro entra em campo com elegância. No Acervo Rubro-Negro, mantemos viva a chama desse gênio. Porque, como o próprio Zico faz questão de lembrar: antes de existir um Rei, existiu um mestre. E o nome desse mestre era Dida.

1 comentário em “Dida: O Ídolo de Zico e o Gênio que Mudou a História do Flamengo”

  1. Pingback: Renato Abreu no Flamengo: O Ídolo que virou o Terror dos Goleiros 2003-2005/2010-2013

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *