Dossiê – ACERVO RUBRO-NEGRO https://acervorubronegro.com.br Sun, 28 Dec 2025 20:21:58 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 https://acervorubronegro.com.br/wp-content/uploads/2025/12/cropped-acervo-32x32.png Dossiê – ACERVO RUBRO-NEGRO https://acervorubronegro.com.br 32 32 250954470 FLAMENGO É O TIME DA GLOBO: A Farsa dessa História https://acervorubronegro.com.br/flamengo-time-da-globo-a-farsa-da-historia/ https://acervorubronegro.com.br/flamengo-time-da-globo-a-farsa-da-historia/#comments Sat, 06 Dec 2025 02:11:36 +0000 https://acervorubronegro.com.br/?p=2381 Uma das maiores mentiras contadas pelos rivais é que o Flamengo é o time da globo. O argumento é que a emissora carioca manipulou o país para torcer pelo Rubro-Negro.

Porém, quem estuda a história sabe que essa narrativa não para em pé diante de um simples fato: Quando a TV Globo se tornou hegemônica (anos 70), o Flamengo já era a maior torcida do Brasil há décadas.

Neste dossiê do Acervo Rubro-Negro, vamos te apresentar o verdadeiro “pai” da popularidade do Flamengo: não foi Roberto Marinho, foi José Bastos Padilha.

Foto de José Bastos Padilha, presidente que popularizou o Flamengo antes da Rede Globo, flamengo é o time da globo é uma falácia

Nos anos 30, o futebol ainda carregava marcas do elitismo. Foi nessa época que José Bastos Padilha assumiu a presidência do Flamengo (1933-1937) com um plano ousado: transformar um clube da Zona Sul no clube das massas.

Padilha fez o que ninguém tinha coragem:

1. Abraçou o Profissionalismo: Enquanto outros clubes brigavam para manter o futebol amador (e elitista), Padilha profissionalizou o Flamengo para atrair os melhores.

2. Marketing Popular: Ele criou concursos de escolas de samba e eventos populares dentro da Gávea, ligando a imagem do clube à cultura do povo carioca, não mais à elite do remo




José Bastos Padilha, presidente que transformou o Flamengo no time do povo nos anos 30.

O Visionário de 1933: A Revolução de José Bastos Padilha

Para consolidar o plano de Padilha, o Flamengo precisava de ídolos que o povo se identificasse. Em 1936, o clube contratou os dois maiores astros negros da época: Leônidas da Silva (o Diamante Negro) e Domingos da Guia.

Leônidas da Silva jogando pelo Flamengo
Leônidas da Silva Foto: Divulgação

O Impacto de Leônidas da Silva: Contratado em 1936, Leônidas transformou o Flamengo em um fenômeno de massas. O rádio levava seus gols para todo o Brasil, e as excursões do time pelo Norte e Nordeste consolidaram a torcida nacional nas décadas de 40 e 50

Leônidas não era apenas um jogador; ele era uma celebridade nacional, o inventor da bicicleta, o homem que parava o país. Ao vestir o Manto Sagrado, ele trouxe consigo uma legião de fãs negros e pobres que, pela primeira vez, viam-se representados e acolhidos em um clube gigante.

Como o Flamengo ganhou torcedores no Norte, Nordeste e Centro-Oeste antes da televisão? A resposta é a Rádio Nacional.

Sediada no Rio de Janeiro (então Capital Federal), a Rádio Nacional tinha antenas potentes que levavam o sinal para o interior profundo do Brasil.

  • No domingo à tarde, o ribeirinho no Amazonas e o sertanejo na Paraíba ligavam o rádio para ouvir as notícias da capital.
  • E o que a rádio transmitia? Os jogos do Campeonato Carioca.
  • E quem era o time que tinha Leônidas, Domingos da Guia e a identidade popular criada por Padilha? O Flamengo.

Foi assim, pelas ondas do rádio e pela gestão visionária dos anos 30, que o Brasil escolheu o Flamengo.

Torcida do Flamengo lotando o estadio em 1940, provando que o Flamengo era gigante antes da Rede Globo. Flamengo é o time da globo é uma falácia.
Torcida do flamengo enche o estádio em 1940

Dizer que o Flamengo é o time da Globo é inverter a causa e o efeito. A Globo passou a transmitir mais jogos do Flamengo nos anos 70/80 porque ele já dava mais audiência.

O dossiê apresentado aqui oferece provas históricas incontestáveis que desmantelam o argumento falacioso de que o Flamengo é o time da Globo. A verdade é que, quando a Rede Globo se estabeleceu como a maior potência televisiva do país nas décadas de 70 e 80, o Flamengo já era, há muito tempo, a maior e mais fervorosa torcida do Brasil.

O ponto de virada não foi um contrato de TV, mas sim a visão social de José Bastos Padilha na década de 1930, que conscientemente abriu as portas do Clube de Regatas do Flamengo ao povo e abraçou o profissionalismo para contratar ídolos populares. A chegada de Leônidas da Silva e Domingos da Guia, figuras negras de imensa popularidade, solidificou a identificação do clube com as massas brasileiras, que se sentiram representadas pelo Manto Sagrado.

O principal vetor de popularização antes da TV não foi a Globo, mas sim o Rádio. Graças ao poder da Rádio Nacional, sediada na então capital, o Rio de Janeiro, e ao alcance de suas ondas potentes, os feitos do Flamengo eram ouvidos e celebrados em cada canto do país, do sertão à Amazônia. Isso fez do Flamengo o clube nacional por excelência, décadas antes da televisão ser sequer uma realidade.

A relação entre o Flamengo e a Globo é de consequência, e não de causa. A emissora, como qualquer empresa, surfou na onda do time que já dava mais audiência e gerava mais engajamento. Eles apenas comercializaram o fenômeno que o próprio povo brasileiro havia criado e escolhido por décadas de história.

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Dossiê 87: Por que o Flamengo é o verdadeiro campeão de 1987 (Provas e Fatos) https://acervorubronegro.com.br/flamengo-campeao-de-87/ https://acervorubronegro.com.br/flamengo-campeao-de-87/#comments Wed, 03 Dec 2025 14:45:55 +0000 https://acervorubronegro.com.br/?p=2318 A discussão sobre se o Flamengo campeão de 87 é legítimo ou não é, talvez, a maior polêmica da história do futebol brasileiro. Enquanto rivais tentam reescrever a história baseados em canetadas de tribunal, os fatos históricos e o que aconteceu dentro das quatro linhas contam uma versão muito diferente.

Neste dossiê do Acervo Rubro-Negro, vamos desmontar as narrativas falsas e explicar, com dados, por que a Copa União é do Flamengo e por que o Sport jamais poderia ser considerado campeão nacional naquele ano.

Para entender por que o Flamengo campeão de 87 é indiscutível, precisamos voltar no tempo. Em 1987, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) declarou publicamente que estava falida. O então presidente da entidade, Octávio Pinto Guimarães, admitiu que não tinha dinheiro para organizar o Campeonato Brasileiro.

Diante do vácuo de poder e do risco de ficarem sem jogar, os maiores clubes do país se uniram e fundaram o Clube dos 13. A ideia era revolucionária: criar uma liga independente, moderna, rentável e com os melhores times do país, chamada de Copa União.

O sucesso foi imediato. A Copa União conseguiu patrocínios gigantes (como a Coca-Cola) e transmissões da Rede Globo. O campeonato foi um sucesso de público e crítica. Enquanto isso, a CBF, para não ficar desmoralizada, organizou um torneio com os clubes que “sobraram”, chamado de Módulo Amarelo.

Aqui reside o principal argumento técnico. A Copa União foi dividida em dois módulos claros, que funcionavam, na prática, como divisões:

  • Módulo Verde (Primeira Divisão): Composto pelos 13 gigantes do Clube dos 13 (Flamengo, Inter, São Paulo, Vasco, etc) mais 3 convidados de peso. A elite do futebol.
  • Módulo Amarelo (Segunda Divisão): Composto por times que não entraram na elite, incluindo o Sport Recife e o Guarani.

Dizer que o campeão do Módulo Amarelo tem o mesmo peso do campeão do Módulo Verde é o mesmo que dizer que o campeão da Série B de hoje é tão campeão quanto o da Série A. O Flamengo campeão de 87 enfrentou e venceu os times mais fortes do país, incluindo o Internacional na final histórica.

A Chantagem da CBF e o “Regulamento” de Eurico Miranda

Se o Módulo Verde era a elite, por que surgiu a história do cruzamento?

A CBF, vendo o sucesso da Copa União e temendo perder o controle do futebol brasileiro para sempre, usou uma arma política. A entidade ameaçou os clubes: se o torneio não tivesse a chancela da CBF, seria considerado um torneio “pirata”, e a FIFA poderia desiliar os clubes brasileiros.

Sob essa chantagem, o representante do Clube dos 13 na CBF, Eurico Miranda (dirigente do Vasco), assinou uma mudança no regulamento prevendo o cruzamento entre os campeões dos dois módulos.

Porém, é fato histórico documentado: Eurico Miranda assinou sem a aprovação dos outros clubes. Em reunião posterior, o Clube dos 13 decidiu, por unanimidade, que o acordo original seria mantido: o campeão do Módulo Verde seria o Campeão Brasileiro, sem necessidade de enfrentar times da “Série B” (Módulo Amarelo).

Muitos rivais acusam o Flamengo de ter “fugido” do jogo contra o Sport. A verdade é o oposto: o Flamengo (e o Internacional, vice-campeão) cumpriu o acordo firmado entre os grandes clubes.

Não fazia sentido técnico ou esportivo obrigar o time que venceu a elite (Zico, Bebeto, Andrade, Leonardo) a jogar contra o vencedor de um torneio inferior apenas para salvar a face política da CBF. O W.O. não foi um ato de covardia, mas um ato de protesto e fidelidade ao regulamento original da Copa União.

O Sport Recife foi declarado campeão pela justiça comum anos depois, e posteriormente reconhecido pelo STF. Mas o futebol não se joga em tribunais.

No campo, na bola e na história, o Flamengo campeão de 87 levantou a taça (a famosa Taça das Bolinhas) após vencer uma maratona de jogos contra os maiores esquadrões do país. O Sport levantou um troféu após vencer um W.O. e um jogo de pênaltis contra o Guarani.

A Nação sabe a verdade. A história sabe a verdade. 1987 tem dono, e ele veste Rubro-Negro.

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