Uma das maiores mentiras contadas pelos rivais é que o Flamengo é o time da globo. O argumento é que a emissora carioca manipulou o país para torcer pelo Rubro-Negro.
Porém, quem estuda a história sabe que essa narrativa não para em pé diante de um simples fato: Quando a TV Globo se tornou hegemônica (anos 70), o Flamengo já era a maior torcida do Brasil há décadas.
Neste dossiê do Acervo Rubro-Negro, vamos te apresentar o verdadeiro “pai” da popularidade do Flamengo: não foi Roberto Marinho, foi José Bastos Padilha.

Nos anos 30, o futebol ainda carregava marcas do elitismo. Foi nessa época que José Bastos Padilha assumiu a presidência do Flamengo (1933-1937) com um plano ousado: transformar um clube da Zona Sul no clube das massas.
Padilha fez o que ninguém tinha coragem:
1. Abraçou o Profissionalismo: Enquanto outros clubes brigavam para manter o futebol amador (e elitista), Padilha profissionalizou o Flamengo para atrair os melhores.
2. Marketing Popular: Ele criou concursos de escolas de samba e eventos populares dentro da Gávea, ligando a imagem do clube à cultura do povo carioca, não mais à elite do remo
José Bastos Padilha, presidente que transformou o Flamengo no time do povo nos anos 30.
O Visionário de 1933: A Revolução de José Bastos Padilha
A dupla que conquistou o Brasil: Leônidas e Domingos
Para consolidar o plano de Padilha, o Flamengo precisava de ídolos que o povo se identificasse. Em 1936, o clube contratou os dois maiores astros negros da época: Leônidas da Silva (o Diamante Negro) e Domingos da Guia.

O Impacto de Leônidas da Silva: Contratado em 1936, Leônidas transformou o Flamengo em um fenômeno de massas. O rádio levava seus gols para todo o Brasil, e as excursões do time pelo Norte e Nordeste consolidaram a torcida nacional nas décadas de 40 e 50
Leônidas não era apenas um jogador; ele era uma celebridade nacional, o inventor da bicicleta, o homem que parava o país. Ao vestir o Manto Sagrado, ele trouxe consigo uma legião de fãs negros e pobres que, pela primeira vez, viam-se representados e acolhidos em um clube gigante.
“Internet” dos anos 40: Rádio Nacional
Como o Flamengo ganhou torcedores no Norte, Nordeste e Centro-Oeste antes da televisão? A resposta é a Rádio Nacional.
Sediada no Rio de Janeiro (então Capital Federal), a Rádio Nacional tinha antenas potentes que levavam o sinal para o interior profundo do Brasil.
- No domingo à tarde, o ribeirinho no Amazonas e o sertanejo na Paraíba ligavam o rádio para ouvir as notícias da capital.
- E o que a rádio transmitia? Os jogos do Campeonato Carioca.
- E quem era o time que tinha Leônidas, Domingos da Guia e a identidade popular criada por Padilha? O Flamengo.
Foi assim, pelas ondas do rádio e pela gestão visionária dos anos 30, que o Brasil escolheu o Flamengo.

Conclusão: A Globo surfou na onda, não a criou
Dizer que o Flamengo é o time da Globo é inverter a causa e o efeito. A Globo passou a transmitir mais jogos do Flamengo nos anos 70/80 porque ele já dava mais audiência.
🚩 Conclusão: O Mito Flamengo é o Time da Globo Não Resiste à História
O dossiê apresentado aqui oferece provas históricas incontestáveis que desmantelam o argumento falacioso de que o Flamengo é o time da Globo. A verdade é que, quando a Rede Globo se estabeleceu como a maior potência televisiva do país nas décadas de 70 e 80, o Flamengo já era, há muito tempo, a maior e mais fervorosa torcida do Brasil.
O ponto de virada não foi um contrato de TV, mas sim a visão social de José Bastos Padilha na década de 1930, que conscientemente abriu as portas do Clube de Regatas do Flamengo ao povo e abraçou o profissionalismo para contratar ídolos populares. A chegada de Leônidas da Silva e Domingos da Guia, figuras negras de imensa popularidade, solidificou a identificação do clube com as massas brasileiras, que se sentiram representadas pelo Manto Sagrado.
O principal vetor de popularização antes da TV não foi a Globo, mas sim o Rádio. Graças ao poder da Rádio Nacional, sediada na então capital, o Rio de Janeiro, e ao alcance de suas ondas potentes, os feitos do Flamengo eram ouvidos e celebrados em cada canto do país, do sertão à Amazônia. Isso fez do Flamengo o clube nacional por excelência, décadas antes da televisão ser sequer uma realidade.
A relação entre o Flamengo e a Globo é de consequência, e não de causa. A emissora, como qualquer empresa, surfou na onda do time que já dava mais audiência e gerava mais engajamento. Eles apenas comercializaram o fenômeno que o próprio povo brasileiro havia criado e escolhido por décadas de história.
Portanto, o Acervo Rubro-Negro conclui: a próxima vez que você ouvir o argumento de que o Flamengo é o time da Globo, lembre-se de Padilha, de Leônidas e dos milhões de torcedores que lotavam as arquibancadas e ouviam a Rádio Nacional nas décadas de 40 e 50. A história, documentada e acessível, é a única verdade. A nação foi construída no campo e no rádio, e não em um estúdio de televisão.


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